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CONSCIÊNCIA NEGRA: COMO PENSAR O SERVIÇO SOCIAL E UMA PRÁTICA PROFISSIONAL ANTIRRACISTA?

 

 

Estamos em comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, oficialmente estabelecido no dia 20 novembro, para relembrar a luta e resistência de Zumbi dos Palmares (assassinado no dia 20 de novembro de 1695), liderança de um dos maiores Quilombos do Brasil: O Quilombo dos Palmares.  O Movimento Negro tem homenageado também, por meio da celebração deste dia, outras pessoas que fizeram e fazem parte da luta pela libertação e desconstrução da romantização de uma falsa democracia racial que ainda é tão disseminada no nosso país. Acredita-se que a Lei Áurea foi o principal marco de libertação do povo negro, que foi escravizado por mais de 300 anos, por um ato de benevolência em 1888.

 

O primeiro ponto a ser desmistificado: a falsa abolição! Essa falsa abolição contribui para o apagamento e silenciamento de vidas negras que têm resistido bravamente às inúmeras violações de direitos que ocorrem neste país. Como diz o sábio Guerreiro Ramos: “Há o negro vida e o negro tema”. O negro vida, é protagonista de suas histórias. O negro “tema”, a partir do olhar da branquitude colonizadora, teve a sua vida desumanizada e sua história apagada, como se pacificamente houvesse aceitado os papeis de subalternização que os foram impostos. Portanto, é urgente colocar em destaque negras e negros enquanto sujeitos que têm voz e desmascarar esse mito que se faz presente para manutenção dos privilégios da branquitude.

 

O segundo ponto que merece destaque é a atuação do Serviço Social, a partir do reconhecimento do Racismo Institucional presente em diversos espaços socio-ocupacionais. É urgente o reconhecimento do racismo enquanto uma das expressões da questão social, e que, juntamente com outros eixos de opressão, geram as vulnerabilidades que acometem a população negra. Não há hierarquização de opressões!  Portanto, o estudo dos sistemas de dominação se faz necessário para compreensão das iniquidades que assistentes sociais se deparam nos espaços de prática profissional.

 

Precisamos refletir como as dimensões do racismo – interpessoal, internalizado e institucional- são percebidas em diversos contextos: desde a forma como as instituições limitam o acesso da população negra aos seus direitos, até como as/os assistentes reproduzem práticas racistas no atendimento à população negra. Assumir uma postura antirracista deve ser um compromisso ético-político da categoria profissional, e é importante destacar a dimensão educativa, intrínseca ao Serviço Social, enquanto potencialidade no enfrentamento ao racismo. Principalmente no atual momento em que políticas direcionadas à promoção da equidade estão sendo ameaçadas, é evidente como o agravamento das expressões da questão social irão impactar de forma interseccional na vida da população negra.

 

Essa luta não pode ser desvinculada dos movimentos sociais, ou reduzida aos debates feitos na academia (que também tem reduzido negras e negros a objeto de pesquisa). O nosso desafio é atuar nos territórios juntamente com a população negra e com os Movimentos Negros. Que nós, assistentes sociais, possamos nesse dia refletir e buscar estratégias que são sinalizadas no nosso Código de Ética, na Lei de Regulamentação da profissão, e por meio de experiências de combate ao racismo em diversos espaços, para assim, darmos materialidade a uma atuação profissional que seja de fato antirracista.

 

Texto: Dyana Helena 

Bacharel em Saúde Coletiva (1/2014) e em Serviço Social (1/2018) pela Universidade de Brasília. Atualmente é Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UnB e assistente social residente do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica da Fiocruz Brasília. Tem experiencia em pesquisas sobre: Políticas Sociais; Reorientação da Formação em Saúde; Promoção da Equidade; Questão Racial e Saúde da População Negra.

 

 

SAIBA MAIS EM:

BENTO, M.A.S. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: CARON, I.; BENTO, M.A.S (Org.) Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. 25-58.

EURICO, M.C. Questão Racial e serviço social: uma reflexão sobre o racismo institucional e o trabalho do assistente social. 2011. 143 f. Dissertação (Ciências Sociais Aplicadas). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.

JONES, C. P. Confronting institutionalized racism. Phylon. Atlanta, v. 50, n. 1, p. 7-22, 2002.

RAMOS, A.G. A Introdução Crítica a à Sociologia Brasileira. Rio de Janeiro. Andes. 1957.

 

 

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