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Nota de repúdio – NÃO HÁ CURA PARA O QUE NÃO É DOENÇA

NÃO HÁ CURA PARA O QUE NÃO É DOENÇA

Texto: Lucci Del Santos Laporta

 

Nos últimos dias, fomos surpreendidas/os pelas notícias de que uma clínica de hipnoterapia, aqui do Distrito Federal (DF), oferece “tratamento ao homossexualismo” em seis seções, pelo custo de quase 30 mil reais. O terapeuta, Gabriel Henrique de Azevedo Veloso, tenta explicar que tal demanda teria vindo dos clientes, sem que se pergunte, em momento algum, se o problema da não aceitação da própria orientação sexual (ou da identidade de gênero, porque muitas pessoas ainda acham, equivocadamente, que a transgeneridade é um tipo de homossexualidade) não é um resultado da LGBTIfobia encrustada em nossas relações sociais e que, por sua vez, precisa de fato ser combatida.

 

Desde 1990 a homossexualidade deixou de ser uma doença, segundo entendimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 2018, a mesma instituição retirou da Classificação Internacional de Doenças (CID) o “transtorno de identidade de gênero”, que se referia às transgeneridades. Desde então, passa a ser um erro a utilização do sufixo “ismo” para se referir às homossexualidades, bissexualidades e transgeneridades, afinal seu uso se refere a comportamentos, ideologias ou patologias. Nenhuma dessas categorias, é importante salientar, diz respeito às identidades de gênero ou orientações sexuais dissidentes das normas cis-heteronormativas. No lugar de patologias, comportamentos ou ideologias, as dissidências de identidade de gênero e de orientação sexual são, na verdade, possibilidades de existência, qualidades humanas, nem melhores, nem piores, só diferentes da cisgeneridade e da heterossexualidade.

 

A “reversão sexual”, quer dizer, a tentativa de se mudar a orientação sexual (ou a identidade de gênero, pelo equívoco já exposto) foi tentativa dos pseudo-cientistas nazistas, que usaram Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e possivelmente outros sujeitos dissidentes à cis-heteronorma (LGBTI+) nos campos de concentração para diversas experiências com tal propósito. Nenhuma delas resultou na mudança de sexualidade ou identidade de gênero das vítimas, mas sim em sequelas físicas e psicológicas. Por mais que se tenha tentando, não há nenhuma comprovação científica da possibilidade de induzir uma pessoa a mudar de identidade de gênero ou de orientação sexual, sendo flagrantes charlatanismo e exercício ilegal da profissão a promessa desse tipo de “terapia”. Ademais, se existem egodistonias em relação à sexualidade e gênero, o que profissionais responsáveis devem fazer é atuar de forma a favorecer que o indivíduo supere a rejeição a si mesmo, que pode ter surgido de traumas causados pelo preconceito e/ou do medo de se colocar como uma pessoa dissidente das normas de uma sociedade tão desigual e odiosa.

 

A Comissão de Ética e Direitos Humanos do Conselho Regional de Serviço Social do DF, portanto, reafirma o compromisso do Serviço Social brasileiro com o respeito à diversidade humana e o combate a todas as formas de discriminação. Esperamos que todas as clínicas e terapeutas que se utilizam do preconceito e da dificuldade em se aceitar como pessoa LGBTI+ sejam responsabilizadas nos termos da lei 7716/89, a qual o Supremo Tribunal Federal entendeu contemplar a homofobia e a transfobia por meio da ADO 26/2019.

 

Contra a LGBTIfobia, a luta é todo dia!

 

 

 

 

 

 

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